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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Estava fácil governar sem povo.

Para quem sempre me acompanhou por estas linhas, peço desculpas pelo silêncio.
Acho que estava cansado de falar sobre a minha percepção, tão íntima, sobre o caráter psicológico dos tantos brasileiros que me rodeiam. E também sobre o caráter do brasileiro que sou. 

Mas alguma coisa reacendeu. 

Começou como uma fricção, lenta e constante de uma Apeosp reunindo-se todas as sextas feiras em algum ponto de cidade de São Paulo em Maio de 2013, para reivindicar melhores salário para os professores municipais e estaduais.  Essa fricção na madeira em busca do fogo, se juntou com os vários manifestos de liberdade sexual, contrapondo os abusos religiosos e mal intencionada do Marcos Feliciano e sua comitiva de preconceitos. 

A Internet ficou pequena e a tábua dos milagres já estava quente demais para segurar tantos corações em brasa.

Os governos municipais aumentaram as tarifas de ônibus e alguém ficou de saco cheio. Juntou meia dúzia de gatos pingados e foram para as ruas. As ruas ganhou o Facebook. O Facebook voltou para as ruas e quando vimos, já eram 65 mil gritando em São Paulo e outros 200 mil nas ruas de outras cidades brasileiras. 

Tenho conversado com muitas pessoas a respeito. Esse é um dos movimentos mais importantes da década. A isso se assemelha a queda da bastilha, a guerra civil americana, os estudante franceses de maio de 68, o movimento dos caras pintadas. Em particular, no Brasil, o que leva as pessoas às ruas é a paixão; a mesma que leva o sujeito para escolas de samba ou aos estádios de futebol. Obviamente que não falo de paixão alegre e sim do grito.

Não se sabe bem pelo que grita, mas grita. Expõe o sentimento à sua mais íntima indigestão e vomita em jorros de diversos sucos. Os que andam de carro, grita o trânsito. Os que andam a pé, o preço e a qualidade dos sapatos. Os que vão de bike, a falta de infra estrutura e braço. Os enfermos a saúde debilitada em hospitais públicos e a falta de médico nos consultórios privados. Grita a inexistência de negros na sala de aula do curso de extensão de planner  que acabei fazer na ESPM.

No peito sobra o que gritar e o uivo se multiplica em redes sociais cada vez presentes nas manifestações. Sendo de apoio ou de repúdio, não importa, pois isto é uma pequena amostra de como a sociedade está se transformando e que os valores antigos não servem mais para a nossa nova forma de vida.

O gigante acordou? Sim, mas ainda vai andar insone até conseguir achar onde estão os chinelos, a escova e a pasta de dente.

Sou favor das manifestações, com  violência ou sem (este é tema de outro post). Estava muito fácil para os políticos governarem um Brasil sem povo. 
Iniciativa privada, se preparem, o próximo serão vocês. 

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Já que fez cem anos...

Fogos de artifícios, shows e uma convocação para que todo corinthiano vista a camiseta do coringa, marcam o dia 1º de setembro, data em que se comemora o centenário do Esporte Clube Corinthians Paulista. Essa manifestação de amor por um clube de futebol é uma das marcas registradas do brasileiro que, sem ser realmente preciso, canta, grita, chora e se desespera pelo futebol.

É tão curiosa essa relação de amor pelos times e pelo futebol, que, por vezes, beira o abismo. Ontem um colega do trabalho disse que a esposa pretende ter filhos no ano que vem. De pronto ele respondeu: Olha é melhor não, pois veja; a copa do mundo acontecerá em 2014, nesta época a criança terá uns 3 anos e será impossível levá-la ao estádio. Risos. Ele pode não ter falado sério, mas que falou, falou. Outra cena estranha rolou no youtube. Uma criança de quatro anos chora melancolicamente porque o Corinthians perdeu um jogo. Aos prantos, ela murmura que o timão não devia fazer isso com ela e que a derrota era uma injustiça com quem sempre o amou. Estranho, não? se ela antropomorfizou o time, imagine o que se fará com o marido... 

Uma outra história ótima chegou para mim enquanto escrevia o post. O rapaz disse que sua esposa era uma sacana, pois, hoje, no dia do "glorioso" timão, ela  colocou todas as camisetas do corinthians para lavar. Puto, ele saiu de casa jurando que nunca mais se casaria com uma palmerense. hahahahah

E é assim que caminha as coisas aqui na agência. Os são paulinos são chamados de bamby, alcunha nem um pouco alusiva ao veado da Disney, corinthianos de favelados, palmerenses de porcos e por aí vai. Só não há o que dizer do rapaz que torce pro Botafogo, porque, em São Paulo, o alvinegro carioca está mais pra café com leite que pra discussão. Mas em todo o Brasil é essa luta. Em dias de jogos a cidade tem que ser dividida em dois; Uma torcida tem que ir pela rebouças e outra pela sumaré. E quando é final de campeonato, a massa toma a avenida paulista e o fuba engrossa. O sujeito fica corajoso, se atira na frente dos carros, faz o trânsito parar, abraça o morador de rua... enfim, tudo muda, mas é só naquele dia.

Se não fosse demasiado engraçado seria bem trágico. Como ainda se procura o sentido da vida, nada mal bandear por essas margens (pl)ácidas. Claro que há outras coisas estranhas que trafegam no mesmo sentido do futebol, como religião, os meios de comunicação de massa, a política e a corrupção, mas esses são temas para um outro post.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Rabo de baleia

E aquele rabo de baleia
passeava pelas estradas do meu brasil,
carregada por seu gigante dragão 
seguida de vagalumes brilhantes.

Mais tarde, outro gigante, o monstro Ness,
o fará singrar os mares.
Aquela bonita pá, com uma intenção tão nobre,
com as curvas tão finas,
brisará em outras terras,
onde outros ventos inventarão outras energias
e essa força magnética se transformará em 
em pãozinho de chapa, café quentinho
e ar quente sem blusa ... e o mundo se dirá renovado.


terça-feira, 20 de abril de 2010

Retalhos de mil retalhos

"A vida pra mim é isso: uma única vida feita de sonhos, alegrias e desilusões. Sorte, acasos e possibilidades. Não é uma caixa de ferramentas onde parafusos estão nos compartimentos da esquerda e os pregos no da direita. Sou como a floresta virgem que entre o grande salgueiro, se entrelaça a trepadeira parasita para viverem em comunhão simbiótica. Não somente cético, não somente louco, não somente aristocrático, tampouco liberal. Numa forma, que privilegia todas as formas, não procuro o equilíbrio dando pesos e medidas às pessoas, como fazem os seguidores do bom senso – às favas com o bom senso. Prefiro a minha realidade, passional às vezes, aos discursos que cambam de um lado para o outro com medo das famosas “o que vão dizer?”. "

Minha obra em multiplicidade estática. Meu Livro está disponível.
Quem quiser dar uma olhada entre no site: http://www.agbook.com.br/book/18445--Retalhos_de_mil_retalhos

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Metamorfose

Este fim de semana, ouvindo os amigos conversando sobre responsabilidade social, percebi que há algum tempo o meu discurso mudou, só que não me dei conta disso. Conversava-se sobre a situação desigual entre pobres e ricos e sobre como nós, cidadãos, éramos também responsáveis por isso. Uma dizia que era necessário uma melhor fiscalização dos órgãos públicos, outros sobre a impossibilidade de sair dessa roda e uma delas repetia o velho jargão de que não era certo dar o peixe, mas ensinar a pescar.

Fiquei pensando...

Tenho buscado o "eu" de todas as coisas que faço. Percebo todos os dias que não passamos de mais uma qualidade de animal dentro do reino dos mamíferos e que lutamos insistentemente dentro da roda ilusória que criamos. Vejo isso de maneira tão cristalina que não consigo me convencer de outra coisa.

Acho que nesta fase poucas pessoas vão me entender.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ciranda financeira

Ciranda financeira, 
vamos todos se esfolar
vamos dar a meia vida
pra essa roda não parar

O que todos sabem há muito tempo é que fazemos essa roda girar. Todos correm para que no fim da vida seja possível parar e viver a vida real. A mente não dialoga com a essência e daí surgem as maiores depressões: O mal do século. Virá mais uma onda inflacionária que mostrará toda fantasia desta ciranda. Está chegando a hora de me recolher  à essência.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Uma rainha sem trono

Quando pensaram nela, uma luz muito forte os iluminou. Ela era a esperança de que o futuro seria feito de paz, harmonia e fraternidade. Nasceu com sonhos grandes. Um sonho de liberdade para os povos. Sua missão era dar voz aos homens. Serviria de ponte entre as pessoas de bom senso. Nasceu para ser a rainha. Uma rainha sem majestade, sua própria antítese. Governaria os homens sem ser governante. Existiria como excelência dos seus atos, pois cada vírgula de sua moral seria discutida e analisada por todos.

Mas esse sonho, de tão belo, de tão equânime, trazia no ventre sua própria contradição. Por ser autora da liberdade fez nascer nos povos os desejos mais impuros.. mais egoístas. Suas primeiras leis foram como bálsamo, mas aos poucos, cada homem e cada mulher livre, aprendeu ferramentas para, em nome da rainha, burlar sua ideia mátria. De liberdade, tornou-se prisão. Homens mais fortes, usaram seu nome para reinar em seu lugar. A grandiosidade de suas leis foram feitas para permitir que fossem corrompidas e hoje ninguém mais entende seus verdadeiros propósitos.

Da pomba da paz, restam somente penas... Lembranças de uma história que nasceu para ser soberana e que hoje regorjita insolidez.  

Esta rainha se chama Democracia e dela restam apenas cinzas.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Tendencioso ou uma tendência

Hoje o caminhos ao S(o)ul vai falar um pouco sobre o Youtube, um dos sites mais revolucionários que já surgiu. Os números são impressionantes. O site contabiliza mais de 300 milhões de usuários. A cada minuto, 24 horas filmes são disponibilizados na rede e, em 2009, já eram 5 bilhões de vídeo por mês. O mundo inteiro está conectado nele e isso quer dizer muito. Fica então a questão: será o youtube uma ferramenta para criar tendências ou explora-se tendências pelo youtube?

Há um tempo venho observando. Toda vez que acesso o site, ele me loga automaticamente. Dessa maneira, de entrada, ele me oferece uma série de sugestões de filmes que se adaptam ao meu perfil de acesso. Algumas coisas são desconexas, porém outras correlatas. Mas o que muito me chamou à atenção é que sempre aparecem filmes na listas que posteriormente se transformam em mercadorias reais. Vou explicar alguns exemplos pra ficar melhor o que quero dizer.

No fim de 2009, começou a pipocar filmes sobre o Ayrton Senna e suas brilhantes vitórias. Semanas depois, a tevê anuncia que o Bruno Senna seguirá os caminhos do Tio. Depois, apareceram muitos filmes sobre os trapalhões: Recentemente a Sony relança os álbuns dos Originais do Samba, grupo de samba em que o Mussum participava. Vídeos da Maria Rita surgiram e na sequência ela lançou um CD.

Uma tendência ou é tendencioso mesmo?

A questão é que isso não entra como link patrocinado, vai ali num bolo inusitado. Aparece de mansinho e dignifica a busca até que um belo dia: Boom! Qual será o próximo lançamento? Será que a internet é mesmo uma ferramenta que dá liberdade à exploração? Será que o que encontramos por aí, não são pistas que nos levam ao castelo da bruxa?  Se for isso, o caso é muito sério, pois esse movimento disfarçado, gera um inconsciente coletivo que responde muito bem para quem tiver interesses nele. Fatalista? Talvez. Mas pode ser que a grande ideia que você teve, não seja sua. Talvez seja o sopro de alguém.

Considero também o caminho inverso: transformou-se em mercadoria porque o site cria tendências que vem do próprio público. 

Juro que ainda estou sem resposta, mas que esse youtube me deixou meio ressabiado, ah isso deixou.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Olvidos

Uma sociedade que cresce sobre escombros.
Advirto aos que leem, que não é só uma questão de ficção científica. Não é somente uma inspiração baseada num filme, mas, sim, um reflexo, um reconhecimento, de coisas vividas, de situações sentidas, de momentos que talvez não façam nenhum sentido para uns e total sentido para outros:

O encontro da alma pelas entranhas da natureza.

Bastardos aqueles que sempre evocam as divindades do progresso para traduzirem valores íntimos relacionados a vida. Não! Aqueles homens e mulheres, vestidos de nú, vivendo em comunidades auto-suficientes e lutando com flechas, não eram sinônimos de atraso. Eram a experiência de vida latente em comunhão com o centro da terra. Homens que se pintavam, que riam, falavam alto, tomavam banho e se reconheciam como mais uma parte do todo. Sim canibais, Sim guerreiros...

Ao pisar no chão, na terra, é possível sentir o que ela tem a dizer para nós. Olhar para uma árvore e perceber nela mais que um objeto inanimado incapaz de pensamentos já me foi possível em momentos de absoluta concentração. Olhar para seu tronco, seu dorso, e poder encontrar nela ancestralidade - a história de outras histórias. Pablo Nacer no Livro Meu avô A'uwe, traduziu o mesmo sentimento ao se despedir de uma tribo indígena Xavante no estado do Mato Grosso. Na caçamba de uma pickup, olhou para trás e sentiu que a floresta se fechava em comunicação repeitosa ao trabalho que fora executar com os índios daquela região.

Homens e mulheres rodam em volta de uma mesma filosofia de entendimento das aflições e intempéries da humanidade. Constroem máquinas, prédios e armas de execução em massa, com o triunfo que gozam de sua contemporaneidade. Todos nós sabemos onde reside a vida. No pequeno, e cheio de gestos, olhar de uma criança. No deixar a vida correr e tratar-se como parte e não como todo.

Uma ideia quando revolucionária demais só sobrevive por meios ilícitos e muitas vezes violento, disse Dostoiévsk em Crime e Castigo. Essa loucura revelada sob os olhos tão arraigados de um pensamento social, só se denomina loucura para que pensamentos não se subvertam.O calor da criação é apagado com meia dúzia de palavras sagradas e todos os dias morrem mais e mais em pról de um desenvolvimento que nada tem a ver com a vida. Enforcam-se todos os dias em gravatas que perderam o sentido que nunca tiveram e comungam ainda das mesmas mortalhas, para expor uma forma de vida que não existe (existência tomada ao pé da letra - mente, corpo e essência).

Como fantoches, afundamos o mundo e seus povos numa cultura que nos afoga de superficialismo e depressões.

Uma frase muito bonita e reflexiva é dita no filme Contato: "Seria um desperdício muito grande um universo somente para nós". Tão simples. Tão irrefutável. Tão feroz. Nosso prazer em reconhecimento e aproximação de uma figura Criadora datam das cavernas e ainda cremos que somos nós a elite das espécies. Como podemos concentrar todas as nossas forças apenas para que haja uma demonstração de superioridade aparente. Um mosquito da malária é capaz de nos tirar a nossa tão soberba força. Inventam guerras, desqualificam outros povos, nos impõe uma moral... e aos poucos percebemos que nada disso realmente existe.

A vida é uma ilusão de ótica. Creia na doença e ela existirá. Creia no medo e não sairá de casa. Creia no membro perdido e ele se movimentará. Se até a ilusão nos é capaz de transformar em seres mais frágeis, que superioridade é essa pela qual dignificamos os nossos filhos, netos e bisnetos? Sob que regra moral nos amparamos e que lei maior nos esquecemos? Um dia não haverá mais mundo para essa espécie de animais tão superiores. Provaremos que tal superioridade, em relação ao todo, são simples bactérias infecciosas. A própria consciência do macro, poderia responder nossa pequenez conspiratória.

Hão os que perguntarão: Que droga você usou? Sempre perguntam tolices diante de situações de aproximação da essência. Essa droga é a realidade. Essa droga é o reconhecimento de própria condição humana e dos séculos que perdemos tentando provar para Quem seja que podemos voar mais alto. Essa é droga.

Continuem o massacre. Não tenho méritos para ser ouvido.

* Olvidos = esquecimento

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Chuva forte em São Paulo - Um convite a loucura.

A Berrini, em 4 de fevereiro de 2010, se viu numa cena de Avatar. Para quem mora ou trabalha por ali foi possível assistir a um fantástico espetáculo da natureza. Chuvas fortes e ventos silvantes causaram estragos por toda a região.

O caos, dignos do fim do mundo, não demorou mais que uma hora. Passado o pânico, as árvores caídas e a energia elétrica cortada, um céu azul lindo se abriu e a impressão que senti foi a de que nada daquilo havia realmente acontecido. Mas aconteceu. Outras pessoas viram, eu juro!

Como a região ficou sem luz, sem ônibus e sem trens, o pessoal resolveu esperar, à luz do bonito sol, nos bares que ficaram cheios de gente até que a cerveja esquentou nos freezer desligados.

Não quis ficar por lá, porque ainda queria conferir como estavam as coisas nos trens da linha esmeralda da CPTM. O contraste foi incrível. Logo na entrada da estação Berrini, tinham pessoas passando mal. Não havia informações sobre os problemas da linha, mas ao me aproximar da plataforma as coisas foram se descortinando; Os trens ficaram muito tempo parados e as pessoas destravaram as portas para tomar os trilhos. As imagens abaixo são da Paula Rezende e demonstram um pouco de como foi o caos.

Ela me relatou que andou da Hebraica Rebouças até a Berrini pela ciclovia que está sendo construída ao lado do Rio Pinheiros e que muitas pessoas se machucaram ao descer do trem fora da plataforma."Estou super cansada e ainda tenho que andar até a avenida Morumbi", diz ela filmando a cena. Rodrigo Homse também estava na estação desde as 18hs (já eram 20hs) esperando.

Estou certo que isso não foi um caos "previsto", mas a cidade de São Paulo tem se mostrado bem mais fadada à hecatombe que antes. E olha que ainda estamos em 2010.























Imagens de Paula Rezende

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Honduras e a velha Ditadura

O Mundo está de frente para uma situação bastante desagradável e nós, sem pedir, nos tornamos cúmplices disso.

No dia 29/07/2009 Honduras foi vítima de um golpe militar. Não parece verdade que essa receita ainda seja usada no século XXI, mas foi! Em agosto do mesmo ano, escrevi no blog sobre ela e tentei dar o meu ponto de vista sobre o que realmente estava acontecendo lá.

Antes de continuar a minha ideia, vou colar algumas notícias que tem saído nos jornais:

G1
"A saída de Zelaya, derrubado por um golpe de estado em 28 de junho, encerra a crise política que paralisou o país centro-americano desde então. Ao assumir, Lobo propôs uma reconciliação nacional no país dividido."

Último Segundo
"Porfírio Lobo, sob o signo da anistia, tomou posse hoje como presidente constitucional do país centroamericano, sepultando de vez Manuel Zelaya, que deixará, depois de cinco meses, a Embaixada do Brasil, para exilar-se. Zelaya aliou-se a Hugo Chávez e se tornou um dissidente da elite conservadora hondurenha, com propósitos autoritários."

Terra
"Para a Anistia Internacional, é fundamental que "Pepe" determine uma apuração completa das ações das forças de segurança no período do golpe e nos dias posteriores. De acordo com o organismo, é necessário ainda punir os responsáveis pelos abusos e não conceder anistia. Do contrário, há riscos de reincidência."

Uol
"Zelaya pôde deixar o país depois que o novo presidente Lobo, assinou, logo após a cerimônia de posse realizada nesta quarta-feira, um decreto que concedeu anistia política a todos os envolvidos no golpe de junho de 2009."

Alguns veículos dizem como andam as coisas por lá, outros (muitos) dizem pouco do que realmente acontece. Por esse motivo, vou usar novamente este blog como veículo de denúncia.

Manuel Zelaya foi um presidente de caráter popular. Entre as diversas medidas que tomou em seu governo estão: desafiou as oligarquias e a burguesia nacional, donas dos meios de comunicação; aumentou o salário mínimo dos funcionários públicos e promoveu a mesma alta no setor privado (60%); melhorou as condições sociais das trabalhadoras domésticas; reduziu o preço dos combustíveis ao se integrar à Petrocaribe, deprezando a Texaco e a Esso Standard Oil; pretendia utilizar a base militar (americana) de Palmerola como Aeroporto Internacional; e se opôs a uma nova lei mineira que lesava os interesses do país, pois outorgaria novas licenças e concessões a empresas de exploração, tais como a Gold Corp., American Pacific e outras.

O que está acontecendo neste país são atrocidades e os meios de comunicação não estão reportando isso. Em 29 de novembro de 2009, o governo ditatorial empurrou uma votação marcada pelo despotismo e manipulação das informações. De acordo com a Revista Le Monde Diplomatique de Janeiro/2010, o Tribunal eleitoral forjou as apurações ao dizer que 61% da população havia ido às urnas. Um Jornalista americano, Jesse Fresstone, do canal The Real News, filmou os resultados que marcavam 49% de participação. A Frente de Resitência Contra o Golpe - FRCG diz que esses números podem ser ainda menores. É impossível a averiguação, uma vez que os resultados oficiais estão em poder do governo golpista.

A censura atual é um outro problema não evidenciado pela imprensa mundial. No dia do Golpe, o sinal dos principais canais hondurenhos foram bloqueados e nas eleições, o canal 36, que investigava as manipulações do atual governo, não teve direito à antena. Em alguns canais, neste mesmo período, foi transmitido vídeos eróticos no lugar da programação original. A Organização de Defesa da Imprensa, de acordo com a matéria do Le Monde, contabilza que 8 mídias foram fechadas e 20 impedidas de funcionar, bem como, 30 jornalistas feridos, 14 presos e um morto.

As mobilizações a favor de Zelaya e da democracia estão sendo constantemente silenciadas. À época da eleição, o balanço da repressão chegavam a 30 mortes e 4200 prisões. O país vive o estado de medo outorgado pelo governo e todo aquele que procura se manifestar é repreendido com violência militar. Há registros de violência sexual no ról destas denúncias.

A questão toda gira em torno da falta de democracia em Honduras e omissão dos meios de comunicação em registrar um fato como esse na América Latina. Aos leitores deste blog, fica aí o meu ponto de vista contra a ditadura que assola este país. Vergonhosa para a América Latina. Vergonhosa para o mundo!

Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil - Ano 3 - Nº 30 - Janeiro de 2010 - R$ 9,90

Dentro deste mesmo contexto, deixo um vídeo do youtube sobre o que aconteceu no Chile, no dia 11/09/1973.



terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Só posso vir até aqui!

Espremem-se todos num vagão. Não adianta apitar a porta, esparramam-se mais e mais, acaba-se o espaço, o ar, e dá-se início a convulsão. Esta dilacerada São Paulo, que às vésperas de mais uma eleição, destoa otimismo e faz crescer em mim um certo despeito de ser paulista. Ah, injustiça.

E não somente por aqui se apertam malabaristas, em Detroite, terra da GM e do Crysler, que se acreditou tanto tempo tayloristas, entendeu muito bem que está numa linha de produção parada. Troca-se fralda por um remédio vencido! Sim! Isso é nos estados unidos, num estado onde periferia é coisa de branco (que contradição louca, não?). Mas não estão à margem da miséria, não. Brancos bem nascidos, álveos, andam bem bonitos de carro, enquanto isso a saúde vai mal. Lá tá feia a coisa.

Sobre essa cidade paulistana, hoje, nada menos absurdo: uma moça não aguentou a pressão, que baixou nos pés e viu o mundo escuro. Caiu! Desmaiou-se todinha. E o guardinha, que cuida do trânsito de tantos ônibus, parou de sinalizar, para abanar a pobre mulher caída.. Pontos de ônibus cheios de interrogações e vontades de sair voando dalí. Novamente me expremi, sem poder ler uma palavra do que lia. Por que são paulo tanto me irrita? Sou teu excesso de contigente? Não sou eu que te faço as enchentes, é o chão que não tem mais por onde entrar a água e que escorre indefinida até parar. Quando enfim encontra abrigo, percebe-se cheia de tantas águas que também não puderam descer pro chão e inundadas, esparramam-se todas.. como os homens e mulheres de tantos trens.

Que aperto me conforta os calos?
Quantas vidas em vidros embassados...
Que coisa tamanha-grande é essa maravilha?

Se possível, se alguém lesse e pudesse ser um pouco mais revolucionário que eu, se alguém pudesse passar desse estágio pra frente.. Minha covardia começa aqui! Vim até aqui e escrevi pra dizer que São Paulo não suporta gente. Foi só até aqui que eu vim. Coragem para uns, covardia para outros, mas só posso vir até aqui!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Macacos, Neandertal e Políticos

Gosto de ver os movimentos políticos de nossa contemporaneidade. Certamente avançamos muito no sentido humano e isso pode ser objeto de um estudo antropológico. Poderia ser mais, mas temos bons avanços. Isso não quer dizer que estamos bem, mas menos ruins. A Uol, hoje pela manhã, publicou uma importante reportagem sobre as descobertas geológica nas escavações da estação Pinheiros de metrô. Essa descoberta, do ponto de vista histórico-geológico é importantíssima para compor a trajetória dos antepassados que passaram pela mesma região.

A Prefeitura de São Paulo está irritada com esta importante descoberta, pois gera atrasos na finalização da obra. Estamos em período eleitoral e ter finalizado uma obra tão importante da engenharia de transporte seria, no mínimo, interessante.

Percebam que nem a melhoria nos transporte, tão pouco a descoberta arqueológica são realmente importantes para a Prefeitura. Seus esforços estão todos dirigidos para as eleições 2010.

Vamos combinar, eles podiam ser menos caras de pau. Nada que fazem é exclusivamente para o benefício da população, tudo precisa ter publicidade e audiência. Se melhoram as condições de vida do trabalhador, o fazem para entrarem no ról de benfeitores lembrados pelo povo.

Neste século XXI somos mais avaçados que os achados arqueológicos do século XIX, mas essa nossa política pública continua uma vergonha.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Movimento Sem Terra

A questão é que eles só olham para o movimento sem terra quando eles ficam putos. Só escutam os caras quando eles dão tiros. A mídia sai como louca quando eles derrubam as laranjeiras. Isso me lembra aquele trocadilho onde se diz que "veem as pingas que eu tomo, mas não veem os tombos que eu levo".

Não é aqui um espaço pra favorecer nenhum ato, mas continuam tentando derrubar um movimento - honesto, justo e reconhecido mundialmente -, com cortes secos nas imagens. Esqueceram-se de José Rainha, morto por grileiros? Você sabe exatamente o que é grilagem? quem contrata esses bandidos? o que eles fazem? Procure saber e se pergunte, porque o movimento dos sem terras não estão grilando terras? Eles querem o que é justo para a nação. E é justo ver o povo comer o que planta. Procure ler As vinhas da ira, de John Steinbeck para entender o que representa a terra para quem é do campo. É tão desumano quanto um asfalto cheio de buracos quebrando as molas do carro do urbano.

Está faltando boas matérias no jornalismo dona Veja, dona Época, dona Folha de São Paulo, Senhor Estado de São Paulo e mãe rede Globo de Jornalismo. Matérias que acompanhem o dia-a-dia do movimento. Que olhem para os atos de maneira completa. Sem terra não é bandido. Não é rebelde sem causa. É um povo honesto que está cobrando do governo o direito de plantar e colher. Fiquemos mais atentos aos noticiários. Os fatos existem, mas tem mais história não contada por trás dos malditos cortes secos.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Olimpíadas no Brasil

Independente do que digam, do que pensem ou falem..
Luiz Inácio Lula da Silva é um dos maiores estadistas que o Brasil já teve.

Berrem, gritem, falem o mal o quanto quiser...
Lula é o cara.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Novela de Homem

Odeio Novela. Esse sim é o ópio. Eu só gosto da novela quando assisto pra ficar puto. Sempre as critico em meus textos e recorro tanto o tema, que passei a ser o chato do assunto.

Há quem diga que a novela é coisa de mulher. De maneira geral acho mesmo que sim. Não tenho os números, mas certamente quem mais consome essa droga são as mulheres. O que se apresenta nela, dissemina-se rapidamente; um jeito de falar, um brinco diferente, uma roupa, um personagem irreverente ou mal humorado.. Em questão de segundos a coisa se torna popular. Eles sabem o que fazem.

Mas tem mais coisas por aí!

Ontem voltando para casa, ví que tava rolando um jogo do coringão (vai curintiá!). Pensei: mas não é o futebol a novela dos homens! Bingo! acertei em cheio. Os homens, cheios de honra viril, são tiétes de jogadores. Sabem quando o atleta quebra a mão e quantos pinos colocou (e sabe quanto se pagou por isso, bem como se aproveitou para fazer uma lipo), quanto o jogador deve de pensão, o valor que ganharam mudando de time. Além disso, sabem o nome de todos os times, quantidade de gols na rodada, se jogará ou ficará no banco, enfim... sabem tudo.

Mas só isso não é suficiente para completar a novela masculina: Quarta, sábado e domingo tem programa na novela. Durante a semana eles compram a relise diária da novela semanal. A novela se repete infinitas vezes nos novelísticos debates sobre a novela da rodada, logo depois que termina a novela do dia.

Engana-se o homem que escapou do crivo dessa observação. Enquanto as mulheres uivam em ver o Abel jogando as roupas da Norminha pela janela, do outro lado, em igual, quiçá, maior euforia, os homens uivam pela vitória do corinthians.

Tudo farinha do mesmo saco!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ditadura militar em Honduras

O mundo volta seus olhos para a gripe Influenza H1N1. Dentro dos ônibus as pessoas se repelem na esperança de repelir o 'contagiante' vírus. Enquanto isso Honduras sofre um golpe militar liderado pelas elites direitistas desse país.

Para quem não sabe o que é Ditadura Militar eu vou explicar em algumas linhas.

Na década de 60 as ditaduras invadiram os países latino americanos, apoiados pelos manuais da CIA com o fim de não permitir que movimentos comunistas se enraizassem por essas bandas. O que caracaterizou a ditadura militar foi a tomada do poder pelo exército. Com isso: 1) O povo ficou impedido de escolher os seus governantes. 2) Os valores constitucionais foram eliminados 3) O congresso foi fechado 4) Foi utilizada a força para combater possíveis dissidentes do governo 5) Foi autorizado o uso da tortura para minar os fócos revolucionários.

A Ditadura abafa o mais importante poder: A força do povo.

Manuel Zelaya, presidente deposto de Honduras, foi atingido por cometer "vários pecados: desafiou as oligarquias e a burguesia nacional, donas dos meios de comunicação; aumentou o salário mínimo dos funcionários públicos e promoveu a mesma alta no setor privado (60%); melhorou as condições sociais das trabalhadoras domésticas; reduziu o preço dos combustíveis ao se integrar à Petrocaribe, deprezando a Texaco e a Esso Standard Oil; pretendia utilizar a base militar (americana) de Palmerola como Aeroporto Internacional; e se opôs a uma nova lei mineira que lesava os interesses do país, pois outorgaria novas licenças e concessões a empresas de exploração, tais como a Gold Corp., American Pacific e outras" - Le Monde Dimplomatique Brasil - Número 25 agosto de 2009.

Chegou a hora da gente dizer não às ditaduras. É impressionante como a Lei Anti-fumo tem muito mais divulgação e muito mais efeito que a lei de orçamento participativo municipal. Precisamos ver aonde realmente está a gripe das coisas.

Esse post é para se solidarizar com a causa de Manuel Zelaya, presidente eleito democraticamente pelo povo de Honduras e deposto pela ditadura militar no dia 25 de junho de 2009.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Mídia, pânico e aspirinas

Dos alto falantes gritaram monumentais
Idos mentirosos, repetidos repetidamentes
que se transformam lentamente... viram reais.

Noutro, transmissões radiofônicas
contaram uma invasão cruel.
Eram bichos de máquinas voadoras,
de viagens interstelares e metralhadoras
lançandora feixes
de raios de Orson Welles.

Nossa paisagem marinha.
Nossa costa de bélissimos corcovados
Fez crescer o pânico paulista
fez baixar as portas
fez se esconder nos armários
fez passar jornais, folhetins, documentários
contando que o pcc tomava a cidade.
Ví onze milhões de desesperados, correndo com suas bolsas,
rastejando-se pelo chão, fugindo de balas
que naquele momento apenas dois ou três revólveres dispararam.

É nessa fantasia que nasce mais uma gripe
que existe, mas não existe...
Agora é proibido dar as mãos, beijar os lábios, sentir tesão
é proibido e na minha humilde concepção
a pior gripe que existe é a gripe do medo.
O medo publicitário, jornalístico...
Uma população acoada, que coloca máscaras pra se proteger.
De tão macisso gripado noticiário.

Numa cidade distante.....

A Menina
que de tanto medo
vestiu-se à chernobyl
e não viu o farol que fechara vermelho
e acabou.
Protegida com máscara,
jaz no asfalto livre, agora sim,
Livre de qualquer gripe.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Atores

Pelas beiradas da morte,
os neo revolucionários sorriem de se verem na mídia à frente das revoluções.

Esses neo revolucionários nunca quiseram revolução.
São apenas atores da malhação vestidos de Che Guevara.

terça-feira, 30 de junho de 2009

MÍdias espontâneas pra povo chucro

Recentemente, duas meninas com quase a mesma idade, tornaram-se celebridades nacionais com canções próprias. Semelhanças e antagonismo marcam a vida dessas duas garotas.

Refiro-me a Malu Magalhães e a Stefhany.

Semelhanças:
Ambas despontaram na fama sem a ajuda dos mecenas mega-empresários da indústria cultural. Pelo menos não num primeiro momento.

Antagonismo:
A Malu explora uma expressão artística inspirada nos Beatle, Bob Dylan e na geração beatnik. Tem uma característica muito singular de fazer poesias com elementos pouco convencionais e explora a música de maneira irreverente e fora dos atuais padrões.
Por outro lado, Stephany faz uma mistura da música internacional da década de 80 e 90 com ritmos brasileiros como o forró, o calypso e o brega. Com um estilo muito característico da nova música nordestina, ela vem conquistando um público cada vez mais seleto.

O que me interessa em todo esse formalismo é que ambas surgiram de mídias espontâneas, mas o povo insiste em caçoar da Malu pelo novo (velho) estilo que ela traz. Com um jeito que está mais para pureza que para a malandragem, ela nos convida para alguns desafios dialéticos. O povo da agência em que trabalho a odeia. Já a Stefhany, com toda aquela coisa sedutora e uma linguagem simples, o povo ama e passa a estudar o "fenômeno".

Sou realmente louco das ideias... Me internem na casa verde do alienista.

Não me procure se não for importante