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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

sssilll faz silêncio

Um dia que já começou com um monte de correria
e não é só correria, e pega-pega, fala alto, prazo curto
é segunda sem segundo.. todo tempo que tenho, não tenho
é o todo do tempo do mundo, não muito...

e o menino corre por aí, numa mão a caneca, na outro faz e-mail
o telefone toca: alô, sí um minuto - faz favor... alô... já te ligo, pode ser?
e vai menino, corre menino é preciso pensar mais rápido...

E se tem um amor no seu cangote,
deixa de bobage, acelera a ligeireza,
e não afina porque pode não dar tempo

já falou com aquele fornecedor? não?
será que dá tempo? não sei, vc tem o tel dele?
ok, manda e-mail... que horas vc vai almoçar?
nossa, já? preciso fumar... já vou... me espera...

Tome correria e se o peito bater segura
tem calma, tem amor demais pra lá da onde...
e onde mesmo deixei aquele pedaço de papel com seu nome?
no carro? o farol fechou, acho que dá pra escrever um oi.. não, não deu - abriu...

cem, cento e vinte, cento e quarenta, será que guenta? dá farol, pisca alerta...
fica alerta.... alerta

faz silêncio...
sssiiillllêêênnccciiooo

te amo

domingo, 4 de julho de 2010

O sorriso dela

Lá estava ela.
Inspirando como já havia inspirado antes.
Como quando dava as mais rápidas e inteligentes respostas
ao sorriso mais bonito que já vi.

Desta vez ela observava o escuro de nós.
Via uma brasa, mansa e devastadora,
 que nos impulsionava para viagens perigosamente deliciosas.

Ali, onde os sapos e as rãs coachavam num cri contínuo e sonoro,
nos encontrávamos sem forças para raciocínios.
Impossibilitados do não, nos enchemos de um sim,
calmo e acertado, que nos inspirou por muito tempo.

Enquanto isso, permanecia ela a olhar pra terra. 
Quando antes da aurora, 
um quezinho emocionada, 
deu a lua a ela um sorriso e
voltamos, sem nenhuma vontade de compromissos,
em tudo preguiçosos....
rumo ao infinito.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Retalhos de mil retalhos

"A vida pra mim é isso: uma única vida feita de sonhos, alegrias e desilusões. Sorte, acasos e possibilidades. Não é uma caixa de ferramentas onde parafusos estão nos compartimentos da esquerda e os pregos no da direita. Sou como a floresta virgem que entre o grande salgueiro, se entrelaça a trepadeira parasita para viverem em comunhão simbiótica. Não somente cético, não somente louco, não somente aristocrático, tampouco liberal. Numa forma, que privilegia todas as formas, não procuro o equilíbrio dando pesos e medidas às pessoas, como fazem os seguidores do bom senso – às favas com o bom senso. Prefiro a minha realidade, passional às vezes, aos discursos que cambam de um lado para o outro com medo das famosas “o que vão dizer?”. "

Minha obra em multiplicidade estática. Meu Livro está disponível.
Quem quiser dar uma olhada entre no site: http://www.agbook.com.br/book/18445--Retalhos_de_mil_retalhos

terça-feira, 16 de março de 2010

Muda de Ares

Foi num dia assim que acordei,
E pensei que os pensamentos são boas brisas
brisas que avoam em leve firmamento.
E sendo em leves brisas a minha vida,
como a árvore balançada no vento
de lá-pra-cá,
Resolvi mudar

Foi num dia assim assado
que pensei que era preciso sempre
mudar, porque mudar é preciso,
e de que era preciso então navegar,
porque nada disso é estático...

Nasceu então uma muda de ares.
Um exercício do presente,
feito com as mãos, deixada dos rabiscos
ganhada de forma,
lembrada, alvíçaras,
eternizada.
ganhada vida

Mas em sua própria função metalinguística,
seu Meta nome, imperou-se e em si.
Nada mais justo que ser de fato sua própria mudança.
De vida feita em morte.

Como nunca achei que seria possível
a pequena muda,
aérea, desnuda,
sentimentalmente forte
ganha uma caixa.
Tudo existe, mas agora de outra forma.
Fechada num espaço, lacrada em mil papéis
onde antes escrevi mil sentimentos...
mil histórias...

Fechou-se, porque agora fez-se em vida .
receba então outra rima,
que vivam em outros mares
pois, sua função era essa mesma:
Viva agora um Muda de ares.


Ilustração: Felipe Watanabe

sexta-feira, 5 de março de 2010

Como dois animais

Era como um bicho...
Um bicho do mato,
Arisco, tinhoso, fronhoso.

Um outro lhe oferecia um prato de comida.
Ele o olhava com olhos de lince...
Ele desconfiava,
Ele se afastava e não cheirava a refeição.

Mais tarde, na noite calada,
Sozinho, de sosláio na mata,
ia ao local onde fora deixado o alimento
e comia um pouco do deixado..

Não comia tudo, comia pouco.
comia rápido, de esguelha,
deixava o resto e ia embora.

A cena se repetiu por dias...
Por anos...

segunda-feira, 1 de março de 2010

A chuva em preto e azul

Quando em tempos,
meus olhos marejados
de saudades infinitas.
E meus olhos mais cansados
de chuvas tão aflitas.
Veja então meus olhos:
essas luzes, essas sombras e esses laços,
de vida em tramas num espaço.
Ah meus olhos viajados
Tão menino, tão carente
Tão perdido, tão molhado.

Hão de se recuperar meus olhos
só pra acordar e ver os olhos
de um cordel em fogo:
De um cordel do fogo encantado.

Ah meus olhos tão cansados...
Te sorrias

Preta: Cordel do Fogo Encantado

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Au revoir. Bientôt

Num certo dia não suportou mais perder o grande amor...
A vida se tornou vazia e com pouco sentido.
Qualquer fio d'água era capaz de lhe cortar ao meio.
Fragilizado, tateava em vão o escuro da alma e não sabia bem o que fazer...
Recuperaria o tempo para mudar completamente o irrefutável estranhamento do hoje..
Mudaria só pra existir novamente...
"A luz está acesa.. não precisa bater..
Au revoir. Bientôt"
E fechou seu peito por um longo e desconhecido tempo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nós nos laços

Em cada linha que escrevo, me despedaço.
Não sei mais se são as pingas que bebo
ou se são os cigarros aos maços.
Sei que o emburrecimento da alma me come
Me sinto um pinto em frangalhos
e dentre tantos enfraquecimentos, 
arranjo mais tantos outros nós nos laços...

Há que se entender que faz tempo que não me desafio
mas me sinto um desassossego na alma, um desatino
que mal me olho no espelho e já logo me viro...
Não tem música de banheiro, não tem artista preferido
Nem aquela mulher bem boa me sussurrando ao pé do ouvido
Nada, nem mesmo isso me eriça os pelos...

Estou tão descompassado com os amigos
tão fora do ritmo-maroto-e-juvenil...
Nem tão moço, nem senil... 
Estou sei lá... 
Sou sei lá...

Bagunçado com o sono de dia
e com um negócio diferente de noite dormir...

E se me largo profundo, nesse beco estreito
me vem um nó no peito de que a vida nem era sempre assim...
Mas se seguro mais a marcha na ladeira
Me sinto um palhaço rindo em cachoeira desse meu lado meio ruim...

Ah, mas que coisa estranha é essa de contar sozinho... 

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Sozinho

Engraçado é perceber que algumas iniquidades da vida são normais. Naturais diante de determinadas situações. Me impressionei com os acasos que não tinha percebido bem antes.

Estou só e desarranjado.. e não adianta, não tenho muito pra onde correr.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Apagão

Ficou assim
Escuro.
Muito escuro.
Adoro esse caos,
como se o apagão pudesse levar um pouco das minhas angústias...

Lembro quando pequeno:
as mães sentadas na calçada,
os homens falando de lobisomem,
meu irmão afinando o violão na varanda,
e eu jogando bola com os muleques...

Ah se apagasse assim da memória
uma história iluminada...

Bem que o apagão poderia servir de molde
para essa claridade maldita.

A cidade então ficou infinitamente mais clara
quando sem luz alguma minha alma se fazia.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Era assim

Era assim.
A contradição era o que ligava.
O que encantava era o desarranjo.
Nessa estrada bifurca,
Não existia o caminho certo,
Pois se ao céu convergisse o ateu,
o desafio de amar o contrário morria
e o amor que até então existia,
vazava pelas latrinas da paz.
Por outro lado, se no inferno continuasse o gajo,
com seus pecados tão atrativos aos olhares da moça,
as morais limitariam seus encontros
e viveriam eternamente um desarranjo.

Era assim.
Não eram somente segredos,
eram contrasensos de fato.
Distorções da realidade em busca do belo.
O belo, por sua vez, andava nu,
e quem se vestia de preto era o pecado, a infinita maçã mordida.

Era assim.
Dialogava com a rua.
Tomava cachaça com o diabo, desdenhava o divino
deixando o corpo responder sem mistério.
Andava por aí desligado e sério, complexo...

Era assim que foi.

É porque há

"Não escreva o que deveras sente."
Mas como não? como não dizer em versos o que em pulos me salta?
Como não ter arrombos líricos diante de tamanha vileza?

A diferença entre os outros e eu
é que exponho o que sinto, como sinto e pra que sinto.
Se um dia disser: "estou com saudade"
Não duvide. Ela realmente esteve aqui.
Se disse: "não", nunca foi querendo dizer sim.

Disse porque disse.
Senti porque senti.
E se agora digo que existe uma fenda no peito
É porque há.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Nem sei

É impossível se concentrar.
Ter discernimento, força.
Foge ao controle a falta de controle
O corpo reage, adoece.
O coração palpita sem força, sem crença, desama.. desanda.

É dificil crer em algo...
Se antes cético, agora nem sei

sábado, 31 de outubro de 2009

Se fosse maior

Ela disse que me ama
Que há muito não cria e
Não via algo tão arrebatador.
Que tudo era um sonho

Mas era um sonho
Pois outros tristonhos
Tinham mais moral
que a essência da flor

E aos poucos foi brotando no cravo, espinhos.
(Inimagináveis espinhos...)
Os olhares casandos, cansaram de ver outros rapazes
mais aptos em seu ninho..
e minhas mãos perceberam a realidade.

Ah se fosse esse amor mais forte que a vaidade
se fosse acima de qualquer novidade
se estivesse fora dos padrões de nosso ano

Chutaria a porta com coragem
atravessaria o oceano
abandonaria os pais
me amava no campo
ganharia filhos
correria nua
faria todo o tipo de loucura.

Tudo isso sem abandonar nada que é seu
nem a porta, nem o oceano, nem os pais,
nem o amor, nem os filhos, nem a nudez, nem a loucura.

Ah se o amor fosse maior que as morais da cura.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Barro

O barro ficou marcado, aonde a boiada passou...
Meu coração é isso agora.
Um forma marcada pelos passos de outro ser.

A alma está marcada
o corpo está cansado
a mente buliçosa..
a voz entrecortada.

Inúmeras foram as lágrimas
Tanta água, tanta chuva
Tanto inverno.
Que não se conta..
Mesmo diante de tantas
lembro dos verões lá em casa.
Dos travesseiros molhados,
cama bagunçada.

E não há erro
Há caminho... ah se fossem os mesmo
Ah se andassem juntinhos
Se um calado sentisse o medo
e o outro, do outro lado do mundo
choramingasse sozinho.

Ai que moral desumana
que vontade de matar o mentor
que inventou o céu, a mata e a cabana
que escureceu o sentido íntimo
que inventou a maçã
que aprisionou tantos filhos
que criou o bem e mal e me deixou ilhado.
Ah inventor danado...

Estou marcado.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Seu filho

Todas as mulheres numa mulher:
A vaidade, a verdade, a doçura, a maldade e a mentira.
Onde todas elas se completam sem entender.
Onde todas elas são mãe
E dentre as mães, resolveu ela ser a minha
Minha referência, minha mulher e amiga

Fez ela hoje mais um dia
Parabéns mãe, não por este,
mas por todos de vida

Seu filho

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Chave

Aonde está a flor
que sorratereiramente
salvou-me em dias tão negros?

Onde fica a chave
se já sabes onde escondo os meus segredos?

Que perguntas são essas
que nessa fase ainda me faço?
Se tão certo é o que sinto
por onde andas nesse espaço?

Se outro dia me estendeu
as mãos e os braços
onde estão seus abraços
que tanto preciso e insisto?

Se me queres em dias tão claros
em dias nublados ao seu lado eu não existo...
não vivo...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Sertão

Se pudesse entender cada milimetro desse pensamento não linear.
Porque ele não pode ser explicado com razão.
Quando muito, é demonstrado em metáforas e desaforos.
A rudeza nem sempre é o rude,
mas saudade da doçura.
É calosidade das mãos,
dos pés e da alma,
Ávida por completude.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Primavera-vida

Estava ali
Com ínumeras perguntas
Meu coração pulando
Meu nervos rijos.

E não estava sendo megalomaníaco
Não estava abusando dos sentimentos
Estava seguindo meu corpo
Respeitando a minha essência...

Mas meus desejos deveriam afunilar
Deveriam deixar de ser desejos soltos
pra serem desejos moderados, enquadrados..

Mais tarde o homem duro amolece...
As forças dobram e o cravo murcha
na parte mais florida desta primavera-vida.

domingo, 19 de julho de 2009

Encantamento

Existe um encantamento.
Diversas coisas no mundo me enchem de alegria.
É claro que a maior parte do tempo eu me vejo triste e sozinho,
como se fosse eu um aleijado ou qualquer outro pária recluso,
mas nos pequenos feixes de vida em que me sinto acompanhado
do amor e da sinceridade, permito-me invadir. Sinto uma
necessidade de aproveitar cada segundo da companhia que a solidão, por tanto tempo, me roubou.

Sou tão egoísta que chego a pensar ser a pessoa mais solitária do mundo.
Penso que sou o único sozinho nos domingos procurando alento em filmes, livros e canções.

Talvez seja o mundo o que eu quero que seja.

Sei apenas que cada momento que estou novamente acompanhado,
sinto como se tivesse chegado da viagem de um país estranho, autoritário e arredio.
Volto, bebo, me drogo, transo, com toda a saudade que sinto de poder viver uma vida infinita de encantamentos.

Isso por ventura lhe traduz o que sinto?
O que sou?
Porque ando?
Pra que sirvo?

São os meus caminhos,
Meus caminhos caminhados ao S(o)ul

Não me procure se não for importante