segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Retalhos

Estar onde estão todas as coisas
todas as coisas que rodeiam em todos os corpos, em todas as farpas, em todos os destroços deixados pelo tsunami que é a mais singela emoção..

É acordar todas as manhãs e buscar nos olhos coragem para peneirar cada centil dos lacrimosos pedregulhos...

Viver em cada momento que se existe por horas parece tão difícil. Tão hostil pisar no mar de tantos nomes. De tantos homens que procuram salvação.

Eu também grito indignado por aí. Grito o som aflito de quem já não sabe mais para onde partir. Hoje já são tantas coisas. Hoje já se está em tantas tantas as coisas..

Serpenteando por aí, ainda que réptil, brincaria de sair desfilando na avenida de sonhos, sondaria misteriosas ondas. Ouviria poesias urbanas e mal feitas que me fariam sorrir. Gostaria demais de frases soltas e não suportaria trinta segundo e bobagens analfabéticas de letrados uspianos.

Ah vida que se projeto em tão poucos planos...

Ah como hoje sentiria doce os pensamentos que se inacabam na mente da criança. Ouviria as gravações da minha voz em fitas cacetes pra lembrar como um dia fui. E pensaria como essa vozinha fina poderia ser uma outra voz..

É ouvir um Stevie Wonder cantando aquela música brasileira e se emocionar com a gaita que tem no solo. Sentir o ritmo da percussão tão característica no som deste preto.

Hoje canto meus versos e penso como o inverso se daria... como se escreveria o pensamento de um pensante atormentado e egoico que hoje sou.

Queria ver ela entrando por aqui, sorrindo e dizendo: vá meu lindo, larga a mão de bestagem e beije logo sua nega até pocar.

Esse ver, sentir e tocar e estar em todas as coisas onde a vida está.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Samba do Rana



Este sambinha eu escrevi para o meu amigo da agência Ranulfo Dias. Um cara muito especial que gosta de bater seus sambas enquanto trabalha na sala de Mock up. Quer dizer, vai fazendo o samba enquanto a Dna Marta não vem (risos). Um presente que com muito carinho, eu ofereço a este amigo.

Letra e Harmonia: Rogério Lima Samba do Rana

Convidei o Rana pro pagode
Ele disse que não ia batucar
Porque do lado da sala mora a Dona Marta
E essa dona é capaz de não gostar.

Porque do lado da sala mora a Dona Marta
E essa dona é capaz de não gostar.

Insisti com o preto a decisão
Que o momento o melhor é festejar.
Se amanhã não tiver um arroz com feijão (nem um pão)
Nós vamos ter é que rebolar.
O puxadinho que tava já na finalização
Para o ano, Deus há de nos ajudar.


Pestilência

há qualquer coisa de instável neste sonho. Qualquer coisa pestilenta nestas paredes que te trancam na quarta parte da sua essência. É o medo e a inocência ganhando forças, ainda que paradigmáticas... é a necessidade de virar guerra em longos programas da discovery que te comem devagarzinho enquanto vc se distrai. aos poucos vc se trai... fechar os olhos é um pulo...

Desexistir

Tenho pra mim que vida reside na vontade viver. Na vontade de existir em cada momento na centelha da existência. E se a vida for esse mar de nadas que se pronuncia em cada curva atéia que o meu coração se profunda, quanto vale tantas filosofias? Claro que todas cerceiam um infindo labirinto de moral e se justificam no transcorrer dos séculos, mas nada disso faz tanto sentido assim. Representam para mim tanto quanto as letras são para as traças que corroem o papel. Só não me permito desexistir na realidade em que estou inserido. Não. Não me permito não sentir o cheiro desta atmosfera, não me interessa onde realmente eu esteja. Da premissa do verbo ser, eu sempre estarei.

domingo, 25 de setembro de 2011

Jingle Sou Food



Para quem acompanha o meu trabalho, segue o Jingle desenvolvido para a campanha de incentivo da Sadia e Perdigão (segmento Food Service).

No dia do lançamento da campanha (09/09) todo já mundo sabia cantar e funcionou muito bem como teaser viral. De acordo com o VP da Food Service, este Jingle foi um dos principais elementos do lançamento, fundamentalmente porque uniu as equipes das empresas Sadia e Perdigão que, este ano se juntaram para formar a maior empresa de alimentos da América Latina; a BRF.

Com vocês, SOU FOOD.

Letra e harmonia: Rogério Lima
Arranjos: Timbre Produções

Título: Sou Food

Sou Food lá no Rio
Sou Food na Europa
Sou Food em todo mundo,
esse nosso time é...

Sou Fooooood
Sou Fooooood
Crescendo a Companhia.
Me integrar eu quero isso todo dia

Pular no Carnaval
Talento e União
Agora eu Sou Food com a Galera Perdigão

Sou Fooooood
Sou Fooooood
Crescendo a Companhia.
Me integrar eu quero isso todo dia

Superação em Londres
Vibração e Ousadia
Agora eu Sou food com a Galera da Sadia

Sou Fooooood
Sou Fooooood
Crescendo a Companhia.
Me integrar eu quero isso todo dia

Bem mais fortes JUNTOS
Os MELHORES do MERCADO
Se sou BRF
Então tá tudo dominado

Sou Fooooood
Sou Fooooood
Crescendo a Companhia.
Me integrar eu quero isso todo dia

Agradecimentos especiais: Nanci Caetano, Paulo Braghin, Raphael Cardoso, Luciano Moreno (Banda Pop Up), Mayra (Timbre Produções) e Igor Marques.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Um dia frio

Hoje a tristeza assolou o meu coração. Não que tenha sido absurdamente óbvio para se considerar uma tristeza, talvez sim, mas não... Foi algo que calou mais fundo e mexeu com órgãos internos. De tão forte, deslocou o epicentro da minha alma me causando náuseas. Senti-me Sozinho no encontro da tristeza que perfurou o meu ânima. Como se ela sempre estivesse ali, hospedeira maligna de um mal, e que, de uma hora para outra, se fez verdade num ritmo que não conseguia controlar. O amor, que sempre está ao meu lado também não entendeu de onde surgia os abismo pelo qual eu me afundava e enfim, se salvou. Só sei que fui tragado numa maré de mal intento e a cada passo que dava sentia menos medo da morte. Menos medo de perder a vida, pois, naqueles momentos em que sorvia todo o sabor acre daquele história, eu mesmo já não fazia sentido para mim. A estranheza de tudo isso era o desapego à vida. A coragem de não mais existir sensibilizado com o que ouvia. Achei tão incomum esse sentimento apesar de ser a morte tão presente no cotidiano que atravesso, mas confesso que naquele momento, eu podia mesmo desistir, pois a tristeza era profundamente contundente. Cheguei em casa e compus uma música que cantava essa agonia. A agonia do índio que não era nem vermelho nem álveo e que, neste degradê, tentava encontrar a sua própria identidade. Senti-me jogado em mim, exposto em mim. Justamente eu; tão seguro, me deixei levar pela maré dos sentimentos que o alheio contava e senti, a cada pedaço de sua angústia, como se tudo que expressava eu entendesse de cór. Fiquei atônito e aos poucos fui ficando mareado, fruto de uma pressão baixa. Eu senti o sabor da solidão ao perscrutar os detalhes da história. Nesse momento, não existia sociedade nem entendimentos filosóficos. Eu era uma massa de coisa que se afundava no lirismo próprio, pronto  a explodir em nulidades e sentimentos sentimentalistas. Sou essa massa de homem fraco que se movimenta pela terra e me envergonho desta fragilidade. uma vergonha tão absurda que só me propõe um ponto final.

domingo, 21 de agosto de 2011

Cartinha




Cartinha
Rodrigo Lima e Rogério Lima


Um dia eu estava tão sozinho
Mas não havia ninguém para sentir pena de mim
As lágrimas rolavam pelo rosto
Mostravam a amargura um desgosto que não tinham fim

Que culpa tenho eu de viver assim?
sofrer calado na prisão que eu mandei construir.
A pena do meu crime é me calar aqui
Sofrer, sorrir, se dar e não poder sentir

(Refrão)
Mas se alguma coisa acontecer e se essa coisa me deixa feliz (me deixa feliz)
quem sabe uma visita uma vista ou então cartinha de alguém
que eu esperei por tanto tempo
um amor que eu almejei há muito
e eu quase me esqueci


A dor que minha alma sente
é pura e simplesmente
o arrependimento de um passado que é
sombrio frio e perigoso de ser lembrado

Mas se acaso tiveres pena
desse meu lamento, então contemple
porque esse meu lamento pode ser o teu também
até pior do que imaginas pode crer que você também vai sentir
você também vai sentir ... você também vai sentir...

(Refrão)
Mas se alguma coisa acontecer e se essa coisa me deixa feliz
quem sabe uma visita uma vista ou então cartinha de alguém
que eu esperei por tanto tempo
um amor que eu almejei há muito
e eu quase me esqueci

Simplcidade e nobreza num mesmo espaço de tempo
faísca, fogo e meu coração se fazendo em brasa
POesia artífício poeta símbolo do amor e do ódio

Não vê? não entende?
se sou apenas por querer ser e o que passou é passado
entende o meu canto e vem ser a minha princesa
neste reino em que o mundo faz questão de apagar

(Refrão)
Mas se alguma coisa acontecer e se essa coisa me deixa feliz
quem sabe uma visita uma vista ou então cartinha de alguém
que eu esperei por tanto tempo
um amor que eu almejei há muito
e eu quase me esqueci


domingo, 7 de agosto de 2011

Que merda é essa?



Que merda é essa? hahahaha

Teve um dia que eu subia pro décimo quinze
Nesse dia nada ali me cheirava bem
Fiquei pensando como estava todo mundo
Nesse mundo todo o mundo não cheirava bem

Com o dia passando foi ficando engraçado
O cheiro de todo mundo vai por todo lado
O cheiro do ralo
O cheio do moço
O cheiro de quem não achava que estava num lodo

Era o cheiro da completa ignorância
Não se acreditava não se via mais ninguém
Quando tudo era uma intolerância
Eu buscava amor nos olhos do meu bem

Eu pensava que isso era tão normal
Achar que o mundo não se cheirava mal
O cheiro do ralo
O cheio do moço
O cheiro de quem não achava que estava num lodo

Um esconderijo atrás do edifício
Eu pensei : o que era estar Bem?
Se é estando todo o tempo branco e liso
Ou se limpo a merda que todo mundo tem.

De repente tudo tava tão errado
O presente passado começo não tinha mais lado
O cheiro do ralo
O cheio do moço
O cheiro de quem não achava que estava num lodo

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Asas de passarinhos

Enquanto acalmam-se os dias de abalos
vou me distraindo com árias perdidas.
perdidos sonhos que se foram com a minha vontade de força.
Há tanto tempo não era poeta, 
Tanto tempo não pensava em meus versos
e agora etílico, arrisco deslizar por entre brumas
que não almeja pisar

Ando por aí pensando em tantas coisas
durmo com a dificuldade do velho que ficou todos os dias deitado em camas irmãs.
Pensado como pensa a mente sã
em meio ao caos que diverte os pedestres cotidianos
estou brincando de ser grande.
Ser aquele que garante uma resposta certa para quem gosta de ouvir respostas certas.

Queria tanto nada disso que me envolvo
queria tanto resposta nenhuma num longo e profundo silêncio,
mas o querer não conversa com as vontades do próprio ser que as tem.

No mínimo louco, passeio por esses bosques
achando toda essa insanidade normal.
Sorrio da minha covarde ousadia, 
porque dos nadas que brinco
asas de passarinhas saltam cantantes e felizes por mim.

Mal sabem a inércia existencial que envolve tudo isso.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

viro o pó

Acho que nunca vou chegar nas conclusões. Talvez elas nem existam para a nossa inteligência tão pequena. Em falar em pequena, esses dias vi um cara falando sobre o tamanho do universo e quão pequenos somos diante de escala. Pois não é bicho? imagine só se as minhas bactérias quiserem realmente fazer barulho. Eu mais que depressa vou mandar um antibiótico nelas, regado com duas boas doses de cachaça pra acabar com a raça delas. Quem são elas? Quem sou eu? Quem é você que vem para um blog para ler o pensamento de alguém que não dá conta de chegar em lugar algum. E ainda que bem sucessido, que moral é essa? Não é nada. Não tenho nada de novo pra mostrar a ninguém. Quero apenas curtir meus sentidos da maneira mais lúcida e mais prazerosa possível. Quero apenas ser humano no meio disso tudo, sem nenhuma intenção divina. Sem nenhuma prepotência fatalista. Para que tantas filosofias de vida se no fim o que te carrega é você mesmo? Para que se machucar com tantos nadas que passeiam por aí se no fim tudo isso que temos vira pó. Até mesmo as nossas ideias. Onde realmente podemos chegar nesta estrada de mil caminhos se no fim o mundo é redondo? Tudo que eu gostaria, e esse texto é um processo fodido (uma necessidade) de autoafirmação, era não me perturbar com tanta bagunça que me cerca. E veja, amigo leitor, nem são tantas bagunças assim: É uma vontade de ocupar um cargo aqui; Uma necessidade de ganhar um ponto lá; Uma vontade enorme de ser quem não é; Um desejo vorás de fugir de si mesmo. Porque me bagunço também no meio desta bagunça. Porque reflito em Durkheim e suas teorias sobre o homem-o-objeto-do-meio e fico aflito em ser o resultado desta resultante, se no fim nem Durkheim, nem Tolstói, nem Nietzsche mudaram o mundo. Talvez eles tenham morrido com uma lembrança boa de si mesmo, mas o mundo continua aí, com batalhas inglórias e deuses de todas as espécies.  E eu, falho escritor de meia hora insone, tentando não querer pensar mais em nada e desde já derramando um monte de pensamentos controvérsios. É assim que se forma um canibal de si mesmo. No fim: eu viro o pó.

Não me procure se não for importante