quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Lavam-se roupas de graça

Lembrou que tinha roupas para lavar.
As bolas de meias já subiam as paredes.
Olhou para o lado e viu parentes meio anônimos,
amigos aparentes, ciladas, escapadas e um monte de história de contar.

Lembrou que era tarde mas ainda dava tempo de mais uma peça.
Pensou que o fio das regatas eram pequenas mangas,
e achou graça nessa confusão de palavras.

Não precisava fazer sentido quando tudo se parecia invertido.
Estava com pressa de subir a montanha de pilhas
de puídas, bem puídas roupas,
queria apenas as bolhas de sabão
e as brincadeiras de balde.

Só queria dizer e cantar o canto das lavadeiras.
Ficar por alí de bobeira fazendo ritmo e som do molho...
Ficar ali, esperando a cândida sorte de chegar para o derradeiro momento de estender.

Era só o que queria...
Lavar naturalmente suas roupas...
E nem era exatamente pra tirar as manchas,
mas para amaciar o tecido vascular, já tão cansado de cansaços..

Só queria dois braços, um abraço e deixar toda aquela sujeira passar.

Mas de tudo isso, fez-se uma confusão danada
e toda roupa suja ficou no lugar.
(de onde nunca deveria ter saído).

2 comentários:

  1. De onde nunca deveria ter saido! :(

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  2. E quem disse que 'folosofia de bar' é inutil?haha...ela abre caminhos!

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Não me procure se não for importante